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Portugal recebe uma das maiores colaborações em Astronomia
2016 maio 27

Cartaz do Encontro do Consórcio Euclid 2016Imagem artística do satélite Euclid. Crédito: ESA/C. Carreau

De 30 de maio a 3 de junho, terá lugar no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, o sexto encontro anual do consórcio internacional da missão espacial Euclid1. Nesta que é uma das maiores colaborações internacionais em Astronomia, e onde o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA2) coordena a participação nacional, participam 14 países europeus e os Estados Unidos, sendo este ano Portugal o país que acolhe o encontro.

A quatro anos do lançamento do satélite Euclid, previsto para 2020, quatro centenas de investigadores e engenheiros nas áreas da Física, Astrofísica e Ciências do Espaço, assim como destacados membros das agências espaciais europeia (ESA) e americana (NASA), e da indústria aeroespacial, irão reunir-se no CCB durante cinco dias, para uma visão de conjunto das atividades científicas e técnicas da missão.

Para Ismael Tereno (IA e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa), cocoordenador nacional da missão Euclid: “A organização do encontro anual dá uma grande visibilidade à participação portuguesa reforçando o papel que vem conquistando com o seu trabalho de implementação do Rastreio de Referência3 da missão Euclid.

António da Silva (IA e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) membro da direção do consórcio e cocoordenador nacional acrescenta: “A participação nacional faz parte de um acordo multilateral entre a ESA e as agências nacionais dos países participantes - a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) no caso de Portugal. A realização do principal evento anual do consórcio em Portugal demonstra também o elevado nível de internacionalização dos investigadores nos vários institutos nacionais que participam neste projeto.

A missão Euclid, cujo nome é uma homenagem ao “pai" da geometria, tem por objetivo compreender por que razão o Universo se está a expandir de forma acelerada e qual a natureza da energia escura4 responsável por esta aceleração. Para tal, irá estudar a geometria do Universo e como a sua estrutura evoluiu nos últimos 10 mil milhões de anos, fazendo o mapeamento da distribuição das galáxias e da matéria escura5. Os resultados irão ajudar os investigadores a compreender a natureza da gravidade e da energia e da matéria escuras, e os seus papéis no passado, presente e evolução futura do Universo.

Durante o encontro do Consórcio Euclid, haverá ainda uma homenagem ao português Pedro Nunes, o matemático do século XVI que desenvolveu a geometria da esfera, com aplicações à navegação. Será apresentada no dia 31 de maio por Henrique Leitão (CIUHCT/FLUL), galardoado em 2014 com o Prémio Pessoa.

Notas
  1. A missão Euclid permitirá detetar cerca de 2 mil milhões de galáxias, que servirão para mapear a distribuição da matéria escura5 no Universo. O satélite Euclid terá um telescópio de 1,2 metros de diâmetro, e a missão irá realizar um levantamento de 40% do céu, com detalhe sem precedentes.
  2. O Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) é a maior unidade de investigação na área das Ciências do Espaço em Portugal, englobando a maioria da produção científica nacional na área. Foi avaliado como “Excelente" na última avaliação que a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) encomendou à European Science Foundation (ESF).
  3. Veja-se Comunicado de imprensa do IA emitido a 17 de dezembro de 2015
  4. A energia escura é uma misteriosa força que se opõe à atração gravitacional, e que provoca a expansão acelerada do Universo. A energia escura corresponderá a 73% de tudo o que compõe o Universo. A descoberta desta aceleração cósmica, em 1998, foi premiada em 2011 com o Prémio Nobel da Física.
  5. A matéria escura é um tipo de matéria que não emite nem absorve radiação em qualquer parte do espetro eletromagnético. Apesar de não poder ser detetada diretamente por telescópios, a sua gravidade provoca efeitos detetáveis na matéria visível. A matéria escura deverá constituir cerca de 23% de tudo o que compõe o Universo, enquanto a matéria “normal" corresponde a apenas 4%.
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