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Instrumento que irá estudar o Universo quente é discutido em Lisboa
2018 novembro 20

Conceção artística do proposto Athena, telescópio avançado para astrofísica de altas energias. Créditos: MPE, ESA, Athena Team.Identidade visual do instrumento Athena-WFI. Créditos: Athena Team.
A missão Athena, da Agência Espacial Europeia (ESA), cujo lançamento está previsto para 2031, irá permitir o estudo do Universo quente e energético através de observação nos raios X. O Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA1) é membro do consórcio internacional de desenvolvimento do instrumento Athena-WFI, do inglês, Wide Field Imager (câmara de grande campo), um dos dois instrumentos científicos que farão parte do observatório espacial Athena. O IA organiza o oitavo encontro do consórcio, reunindo na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), entre os dias 20 e 22 de novembro, mais de 70 especialistas dos vários institutos membros do consórcio, provenientes de dez países europeus e dos Estados Unidos da América.

O observatório espacial Athena terá duas missões principais. Irá investigar a forma como os buracos negros supermassivos evoluíram e determinam a própria evolução do Universo, detetando-os no centro de galáxias em formação no Universo primordial. Irá também ajudar a compreender a agregação da matéria em torno das estruturas de larga-escala do Universo, em particular fazendo o mapa da distribuição do gás quente nos enxames de galáxias e no meio intergaláctico.

Desenvolver um telescópio espacial é uma tarefa que se pode prolongar por muitos anos, mas é essencial para garantir acesso às melhores observações do Universo e realizar a melhor Ciência”,  comenta José Afonso, líder da participação portuguesa no Athena e membro da direção do instrumento Athena-WFI. “A participação nacional no futuro telescópio de raios X da Agência Espacial Europeia é uma demonstração da vitalidade e robustez da comunidade astronómica portuguesa e da aposta continuada no estudo do Universo e das nossas origens.

Este encontro em Lisboa pretende discutir o estado do desenvolvimento do instrumento Athena-WFI e os seus vários subsistemas, assim como os seus objetivos científicos, a otimização da instrumentação de base e a preparação do centro científico do instrumento.

Daqui a pouco mais de uma década, estaremos a usar o telescópio Athena para detetar e estudar os primeiros buracos negros nas primeiras galáxias do Universo”, diz José Afonso. Este será um trabalho na continuidade da participação que o IA já tem na nova geração de instrumentos e infraestruturas do ESO e dos futuros radiotelescópios. José Afonso acrescenta: “Quando o Athena iniciar o seu estudo do Universo saberemos já muito mais do que hoje, e esse é um desafio: como desenvolver um telescópio para estudar o que agora apenas imaginamos conseguir descobrir até lá!



Notas
  1. O Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) é a maior unidade de investigação na área das Ciências do Espaço em Portugal, integrando investigadores da Universidade do Porto e da Universidade de Lisboa, e englobando a maioria da produção científica nacional na área. Foi avaliado como “Excelente” na última avaliação que a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) encomendou à European Science Foundation (ESF). A atividade do IA é financiada por fundos nacionais e internacionais, incluindo pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (UID/FIS/04434/2013), POPH/FSE e FEDER através do COMPETE 2020.


Grupo de Comunicação de Ciência
Sérgio Pereira
Ricardo Cardoso Reis

Daniel Folha (Coordenação, Porto)
João Retrê (Coordenação, Lisboa)

Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço Universidade do Porto Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
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