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Primeira imagem obtida pelo telescópio espacial CHEOPS
2020 fevereiro 10

Imagem da estrela HD 70843. Crédito: ESA/Airbus/CHEOPS Mission ConsortiumImagem artística do CHEOPS em órbita da Terra. Crédito: ESA/ATG medialab
O telescópio espacial CHEOPS, da Agência Espacial Europeia (ESA), abriu a tampa de proteção no passado dia 29 de janeiro. Desde então, todos os sistemas têm sido preparados para a aquisição desta primeira imagem, de um campo de estrelas centrado na estrela HD 70843, escolhida por ter brilho e localização no céu ideais para os testes aos instrumentos.

Para o investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA1) Olivier Demangeon: “Estas primeiras imagens do CHEOPS representam o culminar de 10 anos de trabalho e investimento da parte do IA e do consórcio do CHEOPS. Estas são uma antevisão de um future científico brilhante para a missão e para a nossa equipa."

O satélite conta com a participação ativa do IA e da DEIMOS Engenharia2.Para Antonio Gutiérrez Peña, o diretor do segmento de sistemas à superfície da Deimos: "O sistema de planeamento da missão CHEOPS foi usado nas operações de In-Orbit Commissioning e parece estar tudo a funcionar na perfeição. Estamos muito excitados e esperamos que a missão esteja totalmente operacional dentro de pouco tempo."

O CHEOPS produz imagens propositadamente desfocadas das estrelas, de modo a poder distribuir a luz de cada estrela por vários pixéis do detetor. Isto aumenta a precisão das medições, pois cada medição fica menos sensível a variações da resposta de cada pixel individual ou da maneira como o telescópio é apontado.

Para Sérgio Sousa, um dos investigadores do IA envolvidos nesta missão, a imagem desta estrela branco-amarelada a 150 anos-luz de distância: "pode não ser de tirar o fôlego e com potencial para inspirar a imaginação do público, mas para quem está dentro do projeto, traz perspetivas bem melhores do que as que eram esperadas antes do lançamento, para alcançar os objetivos científicos da missão."

Esta é a primeira missão dedicada a observar trânsitos exoplanetários3 em estrelas onde já se conhecem planetas, em praticamente qualquer direção do céu. Tem a capacidade única de determinar com precisão a dimensão de exoplanetas na gama entre as super Terras e os Neptunos, para os quais já se conhece a massa. Irá ainda determinar com precisão o diâmetro de novos exoplanetas descobertos pela próxima geração de instrumentos em observatórios à superfície da Terra ou ainda identificar potenciais alvos cujas atmosferas possam ser caracterizadas por esses instrumentos.

Ter medições precisas do brilho das estrelas e sua variação é por isso crítico para os investigadores poderem aprender o máximo possível acerca dos planetas que se sabe orbitarem essas estrelas.

O consórcio do CHEOPS é liderado pela Suíça e pela ESA. Conta com a participação de 11 países europeus, sendo que em Portugal a participação científica é liderada pelo IA. A participação do IA no consórcio do CHEOPS faz parte de uma estratégia mais abrangente para promover a investigação em exoplanetas em Portugal, através da construção, desenvolvimento e definição científica de vários instrumentos e missões espaciais, como o CHEOPS ou o espectógrafo ESPRESSO, já em funcionamento no Observatório do Paranal (ESO). Esta estratégia irá continuar durante os próximos anos, com o lançamento do telescópio espacial PLATO (ESA), ou a instalação do espectrógrafo HIRES no maior telescópio da próxima geração, o ELT (ESO).


Notas
  1. O Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) é a instituição de referência na área em Portugal, integrando investigadores da Universidade de Lisboa e da Universidade do Porto, e englobando a maioria da produção científica nacional na área. Foi avaliado como “Excelente” na última avaliação de unidades de investigação e desenvolvimento organizada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). A atividade do IA é financiada por fundos nacionais e internacionais, incluindo pela FCT/MCES (UID/FIS/04434/2019).
  2. A DEIMOS Engenharia é a empresa nacional líder em I&D e desenvolvimento de sistemas Espaciais. Desde 2002, o seu conhecimento tem vindo a equipar múltiplas missões científicas Europeias de exploração planetária, observação da Terra, astrofísica e navegação por satélite. A DEIMOS Engenharia é constituída por uma equipa pluridisciplinar de cerca de 60 engenheiros altamente qualificados. As tecnologias espaciais desenvolvidas na Deimos são aplicadas nos sectores da aeronáutica, transportes, defesa, oceanografia, agricultura e ambiente, entre outros. .
  3. O Método dos Trânsitos consiste na medição da diminuição da luz de uma estrela, provocada pela passagem de um exoplaneta à frente dessa estrela (algo semelhante a um micro-eclipse). Através de um trânsito é possível determinar apenas o raio do planeta. Este método é complicado de usar, porque exige que o(s) planeta(s) e a estrela estejam exatamente alinhados com a linha de visão do observador.

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